Para mamãe

Mamãe, a vida é boa. Às vezes ela nos traz sofrimentos que pensamos ser desnecessários, mas acredite, não são. A cada nova experiência conhecemos pessoas que, talvez nunca mais veremos ou que vamos conviver para sempre, mas elas não estavam/estão ali sem nenhuma razão.
Acredite mais em você! Você é capaz de coisas que nem imagina. Arrisque tentar e não desista se a primeira ou segunda tentativa falhar, pois os erros nos trazem grandes lições.
Seja grata. A gratidão enche nosso coração de esperança e desejo de fazer coisas boas para as pessoas. Tantas mudanças acontecem quando aprendemos a agradecer por tudo no final de cada dia!
Seja positiva. Como eu disse, o mundo é bom, a vida encerra ciclos e nos traz o novo, sempre! Por isso, não viva de passado. Se tem saudade do que foi bom, guarde em uma caixinha no coração e lembre-se que existem muitas outras caixas a serem preenchidas!
E por último, não se esqueça que eu amo você e te ver gostar da vida, mesmo com toda dificuldade que ela traga, é uma grande felicidade para mim!

Eu não sou eu, nem sou outro. Sou qualquer coisa de intermédio.

Como se dá nossa relação com o outro? Somos produto de tudo que vivenciamos desde a infância. Somos, para o outro, aquilo que ele enxerga, o que não é, necessariamente, uma leitura correta. Até que ponto conseguimos transmitir aquilo que realmente somos? Até que ponto conseguimos enxergar quem realmente somos?

Relacionar-se é um constante “pisar em ovos”. Temos que cuidar de cada palavra que sai de nossa boca. Cuidar, inclusive e principalmente, daquilo que não é dito. Palavras tem peso e consequência e a falta delas, também. Nosso corpo fala, o tempo todo e o outro, percebe. Na maioria das vezes, uma comunicação inconsciente e de interpretação, muitas vezes, equivocada.

Relacionar-se é um doar-se constante. E essa gangorra não é 100% equilibrada. Um sempre se desdobra mais e, com isso, supomos que um sempre “ama” mais que o outro.

E nesse movimento de se doar, de ceder, de querer agradar, corremos o risco de nos perder. Muitas vezes, questionamos nossa própria identidade: Afinal, quem sou eu? Quem sou eu puramente? Quem seria eu, se não fosse esse encontro com o outro? Nunca saberemos. Nosso eu, desde o primeiro momento, é construído nesse envolvimento com outrem. No ventre da mãe, com a família, com a escola, com o primeiro e os demais namorados, com os filhos, os netos, os chefes, os amigos e os inimigos.

Tenho dito e repito, precisamos nos responsabilizar. Aproveitar o que tem de bom em cada uma dessas experiências, transformar aquilo que fizeram de nós, em algo positivo, produtivo, caminhar para a evolução sem se vitimizar. Temos um leque gigantesco de opções de tudo aquilo que já vivenciamos, então cabe a cada um de nós, selecionar o que vamos levar adiante, fazer as combinações cabíveis, para alcançar aquela paz e satisfação a qual damos o nome de felicidade.

image

Publicado do WordPress para Android

Carta ao meu melhor amigo

IMG_20141027_100221090Loucure-se. Saia um pouco das margens, já que a vida toda você evitou chegar sequer perto delas. Faça o que lhe dá na “telha”, aja por um minuto por impulso. Nada que coloque em risco sua vida ou a vida de outrem, mas algo que seja um pouco insano e que lhe dê prazer. 

Foi assim que comecei esta carta a você no início da semana e antes que ela terminasse você deu um dos gritos de liberdade que eu tanto quis ver, inaugurando a chegada dos quase 30 com chave de ouro!

Você sempre foi um exemplo de pessoa. Íntegro, inteligente. Bom filho, bom neto, bom irmão e, para mim, o melhor dos amigos. Daqueles que ajudam a decorar a chatisse da tabela periódica na oitava série. Que te apresentm músicas e filmes que ficarão marcados para sempre na memória. Daqueles que se pode falar qualquer besteira. Que rí com você e de você, mesmo quando se trata da pior tolice.

Os anos passam. Amigos e amores vem e vão e nós dois permanecemos. Distantes fisicamente, mas aprendi, principalmente com você, que para se fazer presente não é necessário estar perto. Bem que eu gostaria de poder te ver quando eu quisesse, te abraçar, te ver gargalhando comigo e chorar no seu colo quando a tristeza batesse, mas por algum motivo, nesse momento a vida quer que estejamos exatamente onde estamos..

Esse papo nós já tivemos, mas não custa relembrar: faça planos para os 29, essa idade é a melhor que vc tem. O presente é o melhor momento que temos. Saudosismo todos nós sentimos, mas não fiquemos presos ao passado, achando que o que aconteceu foi o melhor. Também não esperemos que lá no futuro é que as coisas ficarão boas de verdade. Agora é nosso melhor momento e a cada idade, fica melhor!

Tenho orgulho de ser sua amiga e do ser humano que você é. Essa admiração não vem só de mim, mas dos seus alunos, amigos, família e do seu amor, tenho certeza. Aproveite seu aniversário, esse momento, essa vida!

Eu te amo. Muito mais do que é possível explicar nessa frase. Eu sei, vc sabe. E o que temos não necessita de maiores explicações. Fique bem e conte comigo. Para sempre! 💜

Publicado do WordPress para Android

I’m looking for my own oasis

Solidão – s.f. Estado de quem está só, retirado do mundo; isolamento.

Para algumas pessoas essa sensação é a pior de todas. Sinônimo de desamparo, de desespero, de fundo do poço. Para mim, uma condição necessária.

Não que eu seja daquelas pessoas que se isolam constantemente. Sou bem sociável, até. Adoro estar com os amigos, com a família, dar risada, compartilhar um som e uma  bebida. Mas, preciso ficar só, muitas vezes.

Aprecio minha companhia. Gosto de ler meus livros, vagar na internet, ver meus filmes (em casa ou no cinema), comer minhas bobagens, dormir na minha camona, tomar minha cerveja, cantar no chuveiro e dançar pela casa, brincar no violão fingindo que sei tocar bem, correr na rua ou no parque; sofrer e chorar, faz parte; e, tudo isso, sozinha. É uma intimidade gostosa.

Estar o tempo todo com alguém, me sufoca. Como já disse, adoro pessoas. Gosto de ter alguém para abraçar e dormir junto roçando um pezinho no outro de vez em quando. Mas não todos os dias.

Essa descoberta é recente, coisa de pouco mais de um ano. Eu não sabia que apreciava tanto assim minha própria companhia e tem sido um caso de amor muito lindo, recíproco e, minha intuição diz que será, duradouro.

Agora eu entendo as inúmeras vezes em que me senti insatisfeita e incompleta. Curioso isso. Tendemos a achar que a falta do outro é que nos deixa incompletos. Mas não necessariamente.

Ora, então por que algumas pessoas entram em desespero só de pensar na solidão? Por que tanta necessidade de estar com alguém? Pare para pensar. O que tem de errado com você, que te torna tão incapaz de suportar a si mesmo? O que te faz pensar que, se você mesmo não anda se aturando, que o outro tenha o dever de fazê-lo?

Sabe aquela frase bem clichê “quem não ama a si próprio tampouco será capaz de exigir amor do outro” ou ainda “é preciso estar bem consigo mesmo antes de estar com o outro” e tantas outras variações nesse sentido? Pois é, caem muito bem aqui. Porque é exatamente assim.

Nós transmitimos através, não só da linguagem falada mas principalmente da linguagem corporal, o quanto estamos em paz conosco. E isso atrai. Caso contrário, repele (Salvo casos isolados em que serem humanos auto sabotadores se atraem justamente pela encrenca – palavras de uma ex mestre no assunto).

Então, não nos resta outra alternativa senão tratar de fazer as pazes com nosso eu. Como? Isso eu não sei. Cada qual precisa fazer a incrível viagem da introspecção. Parar e olhar para dentro. Se questionar. Enamorar-se de si mesmo. O que eu acho que faço bem? Quais são minhas qualidades? Admire-se. Sinta orgulho de si mesmo.

Tudo vai mudar de um dia para o outro e eu não vou mais precisar de ninguém?! Negativo. O relacionamento com as outras pessoas é a maneira que temos de lidar com as diferenças e evoluirmos como seres humanos. Mas, estar em paz consigo mesmo é um grande refúgio. Um lugar seguro para onde podemos, e devemos, fugir de vez em quando.

Publicado do WordPress para Android

Tanto faz com quem esteja a razão

Na infância perdoamos com tanta facilidade. Quantas e quantas brigas se tem com irmãos, primos e outras crianças e alguns minutos depois estão brincando novamente? Não interessa o que houve e não importa quem está dando o primeiro passo para acabar com aquela bobagem. O que interessa mesmo é voltar a brincar e ser feliz.

Aí vamos crescendo e aprendendo a ser rancorosos. A vida vai passando a ser cruel. Nós a tornamos assim. O que vale mesmo é o jogo de ego. É a resposta mais sarcástica, é saber ignorar melhor, é provar quem está “mais certo”. Muitas vezes até enchemos a boca para contar como nos sobressaímos em uma discussão.

Nesse lenga lenga, perdemos momentos com pessoas que amamos e valem a pena manter em nossas vidas. Perdemos as risadas sincronizadas. Perdemos a companhia na sua forma mais espontânea. Perdemos de dividir um almoço e uma boa conversa. Perdemos de ter com quem compartilhar aquela frustração que te roubou a energia da semana.

Tenho aprendido. A lição que ficou hoje é: às vezes é melhor ter o coração em paz do que provar que está com a razão.

Me cobrir de humanidade me fascina e me aproxima do céu

Coisa difícil é ser humano. Por mais que nos blindemos, por mais convencidos das máscaras que vestimos a ponto de acreditar que somos exatamente aquilo, a vida vem fazendo questão de esfregar na nossa cara que  não, não temos o controle sobre ela.

E tenho aprendido, muito. Talvez não da forma mais suave. Mas quando é que a gente aprende alguma coisa de verdade se for suave?

Tenho aprendido que a ingenuidade é coisa da infância e já passou do tempo de eu ficar com esse mimimi. Tenho aprendido que um “erro vulgar como ser sincero como não se pode ser”, como diz naquela música, pode custar caro.

É preciso ter cuidado com essa coisa tola de ter fé inabalável nas pessoas. A ordem é observar, observar e observar.

É preciso não se importar tanto, ou se assim fizer, esteja ciente de que o outro não se importa com a mesma intensidade.

É preciso conhecer seus próprios limites e deixá-los a postos. Respeitar-se. Essa é a parte boa de tudo isso. Quantas vezes negligenciei minhas vontades às vontades alheias? Não mais.

Não se doe tanto. Não deixe todos os seus segredos à mostra. Observe com cuidado e por um longo tempo antes de qualquer atitude. Precaução nunca é demais.

A paz é o bem mais precioso que a gente pode ter na vida. De vez em quando a minha dá um perdido e embora eu tenha um pouco de dificuldade de encontrá-la às vezes, eu acabo encontrando, sempre foi assim.

Um dia vestido de saudade viva

Já sentiu saudade de si mesmo? De quem você era, como reagia, como sorria das coisas que sorria, das músicas que você ouvia? Dos amigos que tinha, das relações que estabelecia?

Sente saudade de alguma época específica, das manias que tinha, dos lugares que ia?

Dos cheiros que gostava, das roupas que usava, da maneira que escrevia?

Sente saudade dos livros que lia, da disposição que tinha, do medo que não sentia?

De um sabor específico, do olhar que tinha para o mundo, do vento gelado de algum inverno?

Sente saudade das cores que coloriam seu dia? Das vozes que lhe preenchiam? Dos filmes que sonhou interpretar? Da pele que ousou te tocar?

Sente saudades das refeições em família?  De um bordão que dizia? Das ilusões que vivia? Sente saudades daquilo que não vivenciou?

Saudades que não se matam, apenas se sentem.